A publicidade, fazendo-se eco duma tendência inata no ser humano, habituou-nos a procurar o mais eficaz, o mais confortável, o mais barato, o mais fácil: aquilo que soa melhor aos nossos ouvidos, a isso damos atenção.

E temos, tantas vezes, a tentação de fazer também isso com a fé: seja porque não nos apetece ser tão exigentes connosco e escolhemos o mais fácil; seja porque (ingenuamente) achamos que fazendo como a publicidade, podemos atrair mais gente para Jesus.

“Atrair” é, aliás, um dos verbos que mais escutamos. Todos querem atrair: a escola deve ser atraente; a política deve ser atraente; e a religião, como é óbvio, “deve também ser atraente para não afastar os poucos que ainda acreditam”…

No entanto, devemos reconhecer que Jesus “nunca fez saldos”. Nunca disse que segui-Lo era fácil, ou confortável. Pelo contrário. Sempre foi exigente ao máximo com os seus: “Entrai pela porta estreita, porque largo e espaçoso é o caminho que leva à perdição”, dizia (Mt 7,13). E um dia em que os discípulos acharam que era demasiado (Jo 6,60: “Estas palavras são duras; quem as pode escutar?), Jesus não hesitou: ao verificar que muitos o abandonavam, interrogou os Doze: “Não vos quereis também ir embora?” (Jo 6,67).

Os santos compreenderam-no e viveram-no. A nós, as tentativas de colocar em saldo as exigências do Evangelho e os fracos resultados obtidos com essa “estratégia”, não podem deixar de nos interrogar!

+ Nuno, Bispo do Funchal

In Jornal da Madeira

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