
No próximo dia 3 de dezembro, completam-se 106 anos que a guerra bateu literalmente às portas do Funchal. Nesse dia de 1916, eram 8h30 da manhã quando o submarino alemão U-38, entrando no porto, disparou e afundou 4 navios das forças aliadas. Não contente com os estragos, durante 2 horas submeteu o Funchal ao fogo de 50 disparos. Matou 33 soldados e 8 civis madeirenses. Muitos fugiram, abandonando a cidade, com medo de que o ataque se repetisse durante a noite.
Um ano depois, em 12 de dezembro de 1917, o Funchal foi de novo sujeito a meia hora de disparos de outro submarino alemão, causando inúmeros estragos na cidade.
Passados 10 anos, em 1927, o Padre José Marques Jardim conseguiu erguer no Terreiro da Luta um monumento à paz. A imagem de Nossa Senhora da Paz que abraça o Funchal foi rodeada pelas correntes de ferro das âncoras dos navios então afundados.
O Santuário do Terreiro da Luta é um monumento que constitui um verdadeiro grito à paz. Um monumento que a todos recorda os dias em que a guerra nos bateu à porta. Um monumento que a todos empenha na construção da paz.
Quando hoje vejo as imagens dos noticiários sobre a guerra na Ucrânia, não posso deixar de imaginar o terror que aqueles momentos teriam causado nos madeirenses.
Reconstruir o espaço do Terreiro da Luta, como agora estamos a fazer, não é simplesmente tornar mais seguro um belíssimo miradouro da nossa cidade. É verdadeiramente mostrar que o nosso empenho pela paz não se pode ficar pelas palavras, mas há-de descer ao concreto da nossa vida.
+ Nuno, Bispo do Funchal
In Jornal da Madeira