Entre os séculos XII e XIII, sobretudo em França e em Itália, apareceu um grupo religioso cujos membros se chamavam a si mesmos de “cátaros”. O nome vinha de uma palavra grega e queria dizer: “perfeitos”, “puros”.

Segundo eles, a Igreja católica estava demasiado cheia de pecadores. Havia, por isso, que criar um grupo de gente perfeita, sem pecado. Os cátaros eram vegetarianos porque, diziam, a carne trazia consigo o mal. Defendiam a existência dum princípio do bem e dum princípio do mal, estando este ligado à vida corporal, à criação, à matéria. Eles pelo contrário, procuravam ser espirituais. Recusavam a hierarquia (cheia de vícios), e não acreditavam na ressurreição de Jesus ou na ressurreição da nossa carne depois da morte. Foi contra eles que se ergueram nomes como S. Domingos de Gusmão, S. Bernardo de Claraval ou Santo António de Lisboa.

Ao contrário dos cátaros, os cristãos nunca se acharam perfeitos e puros. Sempre se consideraram pecadores e, por isso, sempre começaram a celebração da Eucaristia pedindo a Deus perdão pelos seus pecados, confiando-se à misericórdia do Senhor. Do mesmo modo, sempre praticaram o sacramento da confissão, como oportunidade oferecida por Deus aos pecadores que quisessem acolher o perdão divino.

É verdade: ontem como hoje, somos uma Igreja de pecadores. Precisamos que Jesus nos salve, porque nós, por nós mesmos, não somos capazes de nos salvar. Bendita Quaresma que aí vem, e que sempre nos propõe penitência, oração, esmola, acolhimento da Palavra de Deus, cuidado do irmão. Como diz o Papa Francisco, nós os cristãos somos um grupo de pecadores que esperam na misericórdia de Deus.

+ Nuno, Bispo do Funchal

In Jornal da Madeira

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