Natal na Ilha da Madeira é sinónimo de Missas do Parto. Trata-se de uma tradição antiquíssima: querendo preparar-se mais proximamente para o Natal, os nossos antepassados faziam o esforço por participar na novena que o antecedia. Assim, como a Missa tinha, naquela altura, que ser celebrada em jejum, só de madrugada, antes de ir para o trabalho, podiam celebrar a novena. E, depois da Missa, claro que havia lugar para comer qualquer coisa, a partilhar com os outros o que de bom se tinha trazido de casa. Tudo envolvido em modos de viver, em costumes, em cânticos já com sabor natalício.

Mas tudo isso é tradição. Por muito respeitável que ela seja, só faz sentido ser continuada se hoje marcar também a nossa vida. Não vale a repetir uma coisa só porque os nossos pais, anos atrás, também o faziam.

É por isso que não podemos deixar de nos perguntar: que significam hoje, para nós, cristãos madeirenses, as Missas do Parto? Levantamo-nos mais cedo, participamos na Eucaristia, participamos no convívio que se lhe segue — mas tudo isso será que ajuda a fazer nascer em nós o Deus Menino? Será que nos vai transformando em alegres anunciadores de um Deus próximo, ao nosso lado?

Ninguém se levanta cedo por causa de uma sanduíche de carne de vinha d’alhos e uma poncha. Mas precisamos de não perder de vista as realidades centrais daquilo que fazemos e do que somos.

Deixemos que Nossa Senhora nos conduza até ao Presépio e nos mostre como viver de verdade o Natal.

+ Nuno, Bispo do Funchal

In Jornal da Madeira

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