
Quando, como hoje, a guerra marca presença na Europa, precisamos de recorrer a figuras como o Beato Carlos, rei da Hungria e Imperador da Áustria. Ele foi um daqueles governantes que mereceu o título de “construtor da paz”. Em toda a sua vida mas, sobretudo, depois de assumir as rédeas do Império austro-húngaro. Por isso, ele é exemplo e intercessor.
Exemplo de quem faz tudo quanto está ao seu alcance para edificar a paz, à sua volta e no mundo inteiro. Intercessor porque, junto de Deus, não deixa de pedir pelos seus povos, pela nossa Europa e pelo nosso mundo.
Aliás, desde o início que este conflito se vem parecendo com a Iª Guerra Mundial. Ao princípio, a Iª Guerra foi uma contenda entre o Império e a pequena Sérvia. Mas rapidamente se alargou a toda a Europa e, depois, ao mundo. Habitualmente, os historiadores dizem que tal sucedeu por causa do sistema de alianças entre os países europeus.
Sabemos hoje que a questão foi outra: o objectivo era, de facto, fazer surgir uma Europa diferente daquela em que se vivia. Por isso, foram, cruelmente, recusadas todas as tentativas de paz. Indiferentes aos mortos, ao sofrimento e à destruição, os governantes daquele tempo preferiram esmagar completamente o inimigo. Temo que hoje esteja a suceder algo de semelhante.
Ao terminar o tempo jubilar que o Papa Francisco nos concedeu para celebrar o centenário do falecimento de Carlos de Áustria, não deixemos de pedir ao Santo Imperador que nos ajude a, como ele, construir a paz. Em nós e no nosso mundo.
+ Nuno, Bispo do Funchal