
A Liturgia da Palavra desta solenidade recorda-nos que a santidade não é um caminho reservado a pessoas extraordinárias, mas um chamamento dirigido a todos nós. Ser santo é aprender a viver como Jesus, nas escolhas simples e concretas de cada dia.
Na primeira leitura, São João contempla uma multidão imensa, de todos os povos e nações, reunida diante de Deus. São pessoas que passaram por dificuldades e provações, mas não deixaram morrer a sua esperança. Também nós somos chamados a permanecer fiéis, mesmo quando a vida se torna difícil.
A segunda leitura lembra-nos que somos filhos de Deus. Ainda estamos a caminho e temos muito para aprender, mas não caminhamos sozinhos. A santidade começa quando deixamos que o amor de Deus transforme a nossa maneira de pensar, de sentir e de agir.
No Evangelho, Jesus apresenta-nos as Bem-aventuranças. Chama felizes os pobres em espírito, os misericordiosos, os que promovem a paz e os que têm fome e sede de justiça. É uma proposta que contrasta com a mentalidade do mundo, tantas vezes centrada no poder, no sucesso e na aparência. Jesus mostra-nos que a verdadeira felicidade nasce de um coração humilde, justo e disponível para amar.
Os santos não foram pessoas sem falhas. Foram pessoas que procuraram levantar-se depois das quedas, reconhecer os seus erros e continuar a caminhar com Deus. A sua grandeza não esteve em nunca falharem, mas em não deixarem de procurar a santidade.
Esta solenidade deixa-nos uma pergunta: se a santidade se constrói nas pequenas escolhas, que espaço dou a Deus na maneira como trato os outros, perdoo e ajudo quem precisa?
Porque ser santo não é parecer perfeito aos olhos dos outros. É permitir que Deus nos transforme por dentro, até que a nossa vida se torne um sinal do Seu amor.
A santidade não começa quando fazemos coisas extraordinárias, mas quando aprendemos a amar de maneira extraordinária nas coisas mais simples.