A Liturgia da Palavra deste domingo apresenta-nos a imagem da vinha, símbolo do povo de Deus e também da nossa própria vida. Isaías fala de um proprietário que preparou a sua vinha com todo o cuidado, esperando dela bons frutos. Deus também prepara a nossa vida com amor e oferece-nos tudo o que precisamos para dar fruto.

Mas surge a pergunta: que frutos estamos a produzir? Deus semeia amor, misericórdia, justiça e paz, mas nem sempre encontra isso nas nossas atitudes. É fácil receber os dons de Deus e, ao mesmo tempo, viver como se eles fossem apenas nossos.

No Evangelho, Jesus retoma a imagem da vinha. Os trabalhadores querem ficar com aquilo que não lhes pertence e acabam por rejeitar o próprio filho do proprietário. É uma imagem forte da nossa tendência para querermos Deus quando nos convém, mas recusarmos a Sua vontade quando ela nos incomoda ou exige mudança.

São Paulo, porém, aponta-nos um caminho diferente: não vivermos dominados pela ansiedade e pelo medo, mas apresentarmos a Deus as nossas preocupações e procurarmos tudo aquilo que é verdadeiro, justo, puro e digno de louvor.

A Palavra deste domingo convida-nos, portanto, a olhar para a nossa própria «vinha»: a nossa família, o nosso trabalho, a nossa comunidade, as pessoas que Deus colocou na nossa vida. Estamos a cuidar delas? Estamos a produzir frutos de amor?

Deus não nos pede resultados extraordinários. Pede-nos fidelidade. Pede que aquilo que recebemos d’Ele não fique estéril dentro de nós.

Talvez a pergunta para esta semana seja: se Deus viesse hoje procurar os frutos da minha vida, o que encontraria?

Porque uma vida verdadeiramente cristã não se mede apenas pelo que recebemos de Deus, mas pelos frutos que permitimos que o Seu amor produza em nós e através de nós.

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