A Liturgia da Palavra deste domingo fala-nos de conversão, responsabilidade e coerência. Deus não olha apenas para aquilo que fomos no passado; olha para aquilo que somos capazes de escolher hoje. O profeta Ezequiel recorda-nos que ninguém está condenado a permanecer preso aos seus erros. Podemos mudar, voltar atrás, escolher o bem e recomeçar.

O Salmo coloca nos lábios uma oração muito simples: «Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos, ensinai-me as vossas veredas.» Reconhecer que precisamos de aprender é já um passo importante para a conversão. Quem pensa que já sabe tudo dificilmente permite que Deus transforme a sua vida.

São Paulo apresenta-nos o exemplo de Cristo: humildade, serviço e entrega. Jesus não viveu centrado em Si próprio, mas colocou a Sua vida ao serviço dos outros. É esse o caminho que somos chamados a seguir: não procurar apenas os nossos interesses, mas também o bem dos que caminham connosco.

No Evangelho, Jesus conta a parábola dos dois filhos. Um diz que não vai trabalhar, mas depois arrepende-se e vai. O outro diz que sim, mas acaba por não ir. A mensagem é clara: para Deus, não bastam as palavras; são necessárias escolhas e atitudes.

Podemos dizer muitas coisas bonitas sobre a fé, participar nas celebrações e até afirmar que queremos seguir Jesus. Mas a verdadeira fé revela-se sobretudo na maneira como vivemos, perdoamos, servimos e tratamos os outros.

Esta Palavra deixa-nos uma pergunta muito concreta: as minhas palavras correspondem às minhas atitudes? Quando reconheço que estou errado, tenho humildade para mudar de caminho?

Porque Deus não espera de nós uma vida sem erros. Espera um coração capaz de reconhecer, mudar e recomeçar.O importante não é apenas dizer «sim» a Deus com os lábios, mas dizer-Lhe «sim» com a vida.

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