
A Liturgia da Palavra deste domingo convida-nos a confiar em Deus, mesmo quando os seus caminhos não coincidem com os nossos. O profeta Isaías recorda-nos que os pensamentos de Deus estão muito acima dos nossos pensamentos. Nem sempre compreendemos o que Deus faz, mas somos chamados a confiar n’Ele.
O Salmo apresenta-nos um Deus bom e compassivo, próximo de todos os que O invocam. Deus não se afasta de quem O procura; pelo contrário, está perto de cada pessoa, mesmo daquela que talvez nós próprios tenhamos dificuldade em compreender ou aceitar.
São Paulo mostra-nos que a sua maior preocupação não é a própria vida, mas Cristo e o bem dos outros. Viver para Cristo significa colocar a nossa existência ao serviço de algo maior do que nós mesmos.
No Evangelho, Jesus conta a parábola dos trabalhadores da vinha. Alguns trabalharam todo o dia; outros chegaram apenas ao fim, mas todos receberam o mesmo salário. Aos olhos humanos, parece injusto. Mas Jesus quer mostrar-nos que Deus não distribui o seu amor segundo os nossos cálculos e méritos. A graça de Deus não é uma recompensa que conquistamos; é um dom que recebemos.
Quantas vezes somos como os trabalhadores da primeira hora: fazemos comparações, contamos o que demos e pensamos no que os outros receberam. E esquecemo-nos de agradecer pelo que nós próprios recebemos.
A Palavra deste domingo desafia-nos a abandonar a lógica da comparação e da inveja e a aprender a alegrarmo-nos com o bem que Deus faz aos outros.
Talvez a pergunta para esta semana seja: consigo agradecer a Deus pelo bem que Ele dá aos outros, mesmo quando penso que eu merecia mais?
Porque, diante de Deus, não somos concorrentes. Somos todos trabalhadores da mesma vinha, dependentes da mesma graça e amados pelo mesmo Pai.