
A Liturgia da Palavra deste domingo coloca-nos diante de uma das maiores exigências da vida cristã: aprender a perdoar. O livro de Ben-Sirá recorda-nos que guardar ressentimento e alimentar a vingança acaba por nos prender ao mal. Quem não consegue perdoar fica, muitas vezes, prisioneiro daquilo que lhe fizeram.
O Salmo lembra-nos que Deus é «clemente e compassivo, paciente e cheio de misericórdia». Deus não nos trata segundo as nossas faltas, mas oferece-nos sempre a possibilidade de recomeçar. E é precisamente essa misericórdia que somos chamados a oferecer aos outros.
São Paulo recorda-nos que não vivemos para nós mesmos, mas para o Senhor. A nossa vida ganha sentido quando deixamos que Cristo transforme também a maneira como olhamos para aqueles que nos magoaram.
No Evangelho, Pedro pergunta a Jesus quantas vezes deve perdoar. Jesus responde: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.» Não está a pedir-nos que ignoremos o mal ou que aceitemos injustiças. Está a pedir-nos que não deixemos o mal ter a última palavra dentro do nosso coração.
A parábola do servo que foi perdoado numa grande dívida, mas depois foi incapaz de perdoar uma pequena dívida ao seu companheiro, mostra-nos a nossa própria contradição: pedimos a Deus misericórdia, mas tantas vezes somos incapazes de a oferecer aos outros.
Talvez hoje a Palavra nos convide a olhar para uma pessoa concreta que ainda carregamos no coração. Perdoar não significa esquecer, nem dizer que aquilo que aconteceu não teve importância. Significa decidir que a ferida não continuará a governar a nossa vida.
Porque quem experimenta verdadeiramente o perdão de Deus aprende, pouco a pouco, a tornar-se também um lugar de perdão para os outros.