
A Liturgia da Palavra deste dia convida-nos a olhar para a morte não apenas com a dor da saudade, mas também com a esperança que nasce da fé. Hoje recordamos aqueles que partiram antes de nós, pessoas que fizeram parte da nossa vida e que continuam presentes na nossa memória e no nosso coração.
Na primeira leitura, Job, no meio do sofrimento, faz uma das mais belas profissões de esperança: «Eu sei que o meu Redentor está vivo.» Mesmo quando tudo parece perdido, Job acredita que a morte não terá a última palavra. É esta confiança que também nós somos chamados a ter, mesmo quando a ausência de alguém nos deixa um vazio difícil de preencher.
O Salmo recorda-nos que o Senhor é a nossa luz e a nossa salvação. Perante a fragilidade da vida e a dor da separação, somos convidados a confiar em Deus, sabendo que Ele não nos abandona, nem mesmo nos momentos mais difíceis.
São Paulo lembra-nos que Aquele que ressuscitou Jesus também nos ressuscitará com Ele. A nossa vida não termina no túmulo. A morte não é o fim de tudo, mas a passagem para a vida nova que Deus nos promete.
No Evangelho, Jesus dirige-nos um convite cheio de ternura: «Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei.» Também hoje, com as nossas lágrimas, saudades e perguntas, podemos aproximar-nos de Jesus. Ele conhece a nossa dor e oferece-nos a esperança de uma vida que não acaba.
Neste dia, talvez nos lembremos de rostos, nomes, abraços e momentos que gostaríamos de voltar a viver. Mas a fé recorda-nos que aqueles que amámos não estão simplesmente perdidos: confiamos que estão nas mãos misericordiosas de Deus.
Esta celebração deixa-nos uma pergunta: vivemos de tal maneira que a nossa vida seja uma preparação para o encontro definitivo com Deus?
Hoje rezamos pelos nossos defuntos, mas também aprendemos a olhar para a nossa própria vida. Que saibamos amar enquanto temos tempo, perdoar enquanto podemos e dizer às pessoas que são importantes para nós quanto significam.
A saudade mantém viva a memória de quem partiu; a fé mantém viva a esperança de que, em Deus, a morte não é a última palavra. Porque acreditamos num Deus que não nos criou para o abandono, mas para a vida eterna.